Maranhão inicia segundo período de vazio sanitário da soja para manter produtividade elevada

Afonso Cunha, Caxias e São João do Sóter tiveram propriedades inspecionadas pela Aged em setembro.

Afonso Cunha, Caxias e São João do Sóter tiveram propriedades inspecionadas pela Aged em setembro.

Para controlar o aparecimento da praga de maior impacto na cultura da soja, a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged/MA) iniciou as operações de fiscalização do vazio sanitário da soja, que vai de 15 de setembro a 15 de novembro, nas microrregiões da Baixada Maranhense, Baixo Parnaíba, Caxias, Chapadinha, Codó, Coelho Neto, Gurupi, Itapecuru Mirim, Lençóis Maranhenses, Litoral Ocidental, Médio Mearim, Pindaré, Presidente Dutra e Rosário.

Nome que se dá ao período em que é proibida a plantação de soja, o vazio sanitário tem o objetivo de interromper o ciclo de vida do fungo que causa a ferrugem asiática. Devido à extensão do Maranhão, existem dois períodos de vazio sanitário no estado, uma vez que a disseminação da doença também está relacionada com as condições climáticas.

“A fiscalização no período do vazio sanitário tem como finalidade constatar a ausência do cultivo de plantas vivas de soja, bem como efetuar o monitoramento de áreas que cultivam de forma irrigada outras culturas”, explica o agrônomo da Aged Francisco Rodrigues da Silva.

Na Unidade Regional Caxias da Aged, três operações já foram realizadas para verificar o cumprimento da medida, nos dias 15, 22 e 27 de setembro, nos municípios de Afonso Cunha, Caxias e São João do Sóter. “Os produtores de soja estão satisfeitos com a prática, que comprovadamente vem diminuindo a incidência de casos da ferrugem asiática e os custos de produção”, destaca Francisco.

Além da inspeção de áreas dedicadas à sojicultura, os fiscais da Aged também estão atentos às culturas irrigadas, como a do feijão, que podem ser hospedeiras secundárias do fungo da ferrugem asiática. “No caso do feijão, ele poderá ser cultivado no período desde que o produtor peça autorização da Aged pelo menos 30 dias antes da semeadura”, recomenda o agrônomo.

Impacto

A preocupação com a disseminação do fungo se deve às enormes perdas que pode causar. Segundo dados da Embrapa, na safra 2001/02, durante a qual se estima que mais de 60% da área de soja do Brasil foi atingida, houve perda de 112.000 t ou US$24,70 milhões. Desde 2007, o controle da doença é feita por meio do Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja, que inclui a iniciativa pública e privada.

Microrregiões do Alto Mearim, Balsas, Grajaú, Imperatriz e Porto Franco se preparam para fim do vazio sanitário da soja

Agrônomo da Aged, Eugênio Pires, realiza levantamento fitossanitário durante fiscalização do vazio sanitário da soja no sul do Maranhão.

Agrônomo da Aged, Eugênio Pires, realiza levantamento fitossanitário durante fiscalização do vazio sanitário da soja no sul do Maranhão.

Iniciado em 1º de agosto, o primeiro período de vazio sanitário da soja no Maranhão se encerra no dia 30 de setembro. A partir da data, os sojicultores das microrregiões de Alto Mearim, Balsas, Grajaú, Imperatriz e Porto Franco estão autorizados a iniciar o plantio de soja da safra 2016/2017.

Empregado para prevenir o aparecimento de ferrugem asiática, a principal doença da cultura da soja, o vazio sanitário é um período que pode variar de 60 a 90 dias em que é proibida a plantação da oleaginosa e em que plantas guaxas ou tigueras (que germinam a partir de grãos desperdiçados na colheita) devem ser eliminadas pelos produtores.

“Esse período entre as safras tem o objetivo de quebrar o ciclo de vida do fungo que causa a doença. Juntamente com a aplicação preventiva de fungicidas pelos produtores, temos conseguido evitar que a ferrugem se espalhe na lavoura de soja”, explica o agrônomo e chefe da Unidade Regional Balsas da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged), Eugênio Pires.

No Maranhão, a Aged é o órgão responsável pela fiscalização do vazio sanitário da soja. De 13 a 16, 26 propriedades rurais, totalizando 131.309 mil hectares, foram fiscalizadas em Alto Parnaíba e Tasso Fragoso, em uma ação conjunta das Unidades Regionais Balsas e São João dos Patos. “As fiscalizações do vazio deste ano foram um sucesso, com 197.309 mil hectares fiscalizados. Identificamos, nessa segunda etapa, que o maior problema encontrado pelos produtores rurais das Serras da Bacaba, do Medonho e do Penitente foram ataques de lagartas, de mosca branca e percevejo”, avalia Eugênio.

Resultados

De acordo com dados da Aged, a ferrugem asiática foi introduzida na região de Balsas na safra de 2006/2007, quando foram registrados 172 focos da doença. “Após a adoção do vazio sanitário da soja, instituído pela Portaria Nº. 638 em 19 de agosto de 2011, esses focos caíram para sete por safra e, hoje, a ferrugem está bem controlada pelos produtores”, revela o agrônomo. Nas fiscalizações realizadas em 59 propriedades situadas nas Unidades Regionais Balsas e São João dos Patos, de agosto até 16 de setembro, não houve registro de infração.

O segundo vazio sanitário da cultura da soja no Maranhão ocorre de 15 de setembro a 15 de novembro, nas microrregiões da Baixada Maranhense, Baixo Parnaíba, Caxias, Chapadinha, Codó, Coelho Neto, Gurupi, Itapecuru Mirim, Lençóis Maranhenses, Litoral Ocidental, Médio Mearim, Pindaré, Presidente Dutra e Rosário.