Ministério da Agricultura audita defesa sanitária animal do Maranhão

O primeiro dia de auditoria aconteceu na segunda-feira (05),  na sede da Aged, em São Luís.

O primeiro dia de auditoria aconteceu na segunda-feira (05), na sede da Aged, em São Luís.

Com o objetivo de avaliar a qualidade dos serviços veterinários estaduais, de 05 a 09 de dezembro, o Mistério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) realiza auditória técnica, no âmbito da saúde animal, na Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged/MA). A supervisão acontece em São Luís e em outros cinco municípios maranhenses.

“Estamos aqui para ver como o trabalho está sendo feito e para trazer um olhar de fora. Com isso, poderemos auxiliar no que precisa ser melhorado e tomar conhecimento dos trabalhos que têm funcionado bem no Maranhão”, explicou a auditora fiscal federal Cecilia Paula Dezan, durante uma rápida apresentação das ações da defesa animal da Aged, no auditório da agência, na segunda-feira (05).

De acordo com o Ministério, a auditoria será direcionada para avaliar as competências definidas como fundamentais pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), bem como para avaliar as ações do Programa Nacional de Sanidade Suídea (PNSS) no Maranhão, especialmente aquelas voltadas para o controle da peste suína clássica.

“No caso do Maranhão, nós contamos com o PNSS, temos uma portaria estadual especificamente sobre sanidade suídea e constituímos o comitê de sanidade suídea do estado. Então, estamos fazendo um trabalho de intensificação dos cadastros e da vigilância epidemiológica, além de estarmos seguindo todas as instruções do Mapa. Já temos 50 granjas comerciais e um rebanho de 380 mil de suínos, o que mostra que temos condições de avançar. Com essa auditoria, eles vão analisar a situação para que possamos aprimorar nosso trabalho e vir a alcançar o status de área livre de peste suína clássica”, declarou o presidente da Aged, Sebastião Anchieta.

Interior

A partir da terça-feira (06), os auditores federais agropecuários Abel Ricieri Guareschi Neto, Bethyzabel dos Anjos Santos Araújo e Cecilia Paula Dezan, acompanhados do representante da Superintendência Federal de Agricultura do Maranhão (SFA/MA) Roberto Carlos Arruda, fiscalizam as Unidades Locais de Sanidade Animal e Vegetal (Ulsav) de Santa Inês, Bacabal, Barra do Corda e de Imperatriz, além do Escritório de Atendimento à Comunidade (EAC) de Peritoró.

Cresce incentivo para que Maranhão se torne área livre de peste suína clássica

Veterinários durante execução do plano de contigência de peste suína clássica, no simulado realizado em Cananéia.

Veterinários durante execução do plano de contigência de peste suína clássica, no simulado realizado em Cananéia.

Após a criação do bloco pecuário do Nordeste e Pará para alcançar o status sanitário de área livre de peste suína clássica (PSC) até 2019, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged) têm intensificado a capacitação de veterinários para atuação em caso de circulação do vírus causador da cólera dos suínos. De 08 a 12 de agosto, a responsável pelo Programa Nacional de Sanidade Suídea no estado (PNSS), Teresinha de Lisieux Castro, e o epidemiologista da Aged Lauro Queiroz, participaram de uma simulação de situação emergencial, em Cananéia (SP).

A PSC é uma doença de importância econômica, que traz perdas aos produtores e restringe o comércio de suínos e seus produtos. No Brasil, apenas 16 estados e o Distrito Federal possuem reconhecimento internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como áreas livres da doença. Como consequência, os estados que ainda não alcançaram esse status sanitário não ultrapassam 10% da produção nacional e não têm acesso ao mercado nacional e internacional. No Maranhão, por exemplo, 99,41% da produção do estado são comercializadas internamente.

“O treinamento em Cananéia, além de tecnicamente fundamental, foi muito motivador e mostra que alavancamos na busca pela adequação às exigências da OIE. A defesa animal está avançando no Maranhão e temos sentido o apoio do Mapa”, defende Lisieux.

Durante uma semana de capacitação, os dois veterinários da Aged passaram por um simulado em que tinham que identificar um foco de peste suína clássica e fazer a contenção da doença, conforme o plano de contingência empregado nacionalmente. “Foi um dos primeiros treinamentos desse tipo realizado, onde tivemos que revisar exaustivamente todos os procedimentos para atendimento a um foco de doença”, revelou a veterinária.

Cadastros

A capacitação também serviu como uma preparação para o estudo de prevalência que está previsto para o segundo semestre de 2017, nos estados de Pernambuco, Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí e Pará. Atualmente, a Aged desenvolve uma campanha de conscientização dos produtores de suínos quanto à necessidade de cadastrar suas propriedades. “Pelos dados do IBGE, nosso rebanho suíno ultrapassa um milhão de animais, mas, em nosso sistema, temos apenas 52 granjas de suínos cadastradas, com uma população de 28.476 animais”, destaca Lisieux.

Maranhão inicia vigilância epidemiológica para conquistar reconhecimento como área livre de peste suína

A fiscal agropecuária Teresinha de Lisieux Castro participou da primeira reunião do polo pecuário do NE e PA, em João Pessoa.

A fiscal agropecuária Teresinha de Lisieux Castro participou da primeira reunião do polo pecuário do NE e PA, em João Pessoa.

O Programa Nacional de Sanidade Suídea (PNSS) da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged) intensifica o cadastramento e a vigilância epidemiológica de propriedades criadoras de suínos, a partir desse mês. As ações fazem parte do cronograma do bloco pecuário do Nordeste e Pará, criado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para alcançar a meta de reconhecer o Brasil como área livre de peste suína clássica até 2019.

A mudança de status sanitário de Pernambuco, Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Maranhão, Piauí e Pará já vinha sendo discutida desde 2013. “O último foco de peste suína clássica, no Maranhão, foi em 2008. Para você tirar um estado do status de área infectada, é necessário que não haja notificação da doença por pelo menos dois anos. Isso significa que nós já estamos com bastante tempo e estamos querendo avançar”, declarou a fiscal agropecuária responsável pelo PNSS no Maranhão, Teresinha de Lisieux Castro.

Após uma reunião realizada em Brasília com a presença de representantes dos estados que já conquistaram o status sanitário, no fim de abril, o Mapa organizou a primeira reunião do bloco pecuário do Nordeste e Pará, de 09 a 12 de maio, para definir o cronograma de ações estratégicas do programa. No Maranhão, as ações de cadastramento de propriedades com mais de 60 suídeos e de vigilância epidemiológica se iniciam na segunda (23), em Balsas.

“As ações de combate à peste suína clássica estão diretamente ligadas ao trabalho do Governo do Estado voltado para as cadeias produtivas, especialmente a de grãos, que envolve suínos e aves, na transformação de proteína vegetal em proteína animal. A importância desse trabalho é tão grande quanto é a manutenção do estado como livre de febre aftosa para a cadeia da carne e couro”, observa o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca, Márcio Honaiser.

Atualmente, o sul do Brasil centraliza 80% da criação de suídeos, mas o Maranhão também conta com grandes criadores de suínos, como a Agromina, em Balsas. “A Agromina está completamente tecnificada, atende a todos os requisitos para uma granja certificada, mas, como nós somos área de circulação viral, o criador fica impossibilitado de comercializar fora do estado. Por isso, temos que avançar”, explica Lisieux.

Peste suína clássica

A peste suína clássica é uma doença hemorrágica de notificação obrigatória, que provoca febre alta, manchas avermelhadas pelo corpo, paralisia nas patas traseiras, dificuldades respiratórias e pode levar à morte do animal. Ela está lado a lado com a febre aftosa, no entanto, enquanto esta não é uma doença que pode ser transmitida ao homem (zoonose), a peste suína tem duas diretrizes. “Ela também não é uma zoonose, porém, pelas subdivisões do vírus que a provocam, existe a possibilidade de se desenvolver uma zoonose futura, algo que ainda está em estudo”, esclarece a fiscal.

À exemplo da febre aftosa, o maior impacto da peste suína ainda é econômico. Se surge um foco em algum dos estados dos polos pecuários, por exemplo, todos os outros estados são penalizados. Os últimos casos registrados no Brasil ocorreram em agosto de 2009, no Amapá, Pará e Rio Grande do Norte.

Em 2015, Rio Grande do Sul e Santa Catarina conquistaram reconhecimento internacional como área livre da doença, e, em fevereiro deste ano, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) aprovou o pedido de reconhecimento de outros 14 estados e o Distrito Federal. A previsão é de que até 2017, o bloco pecuário do Nordeste e Pará realize inquérito soroepidemiológico para também chegar a esse status.