Retrospectiva: Defesa vegetal do MA quase triplicou fiscalização de cargas em 2016

Em abril, a Aged realizou uma série de blitzen de fiscalização do trânsito agropecuário pela Operação Impacto, em parceria com a PMMA e a PRF.

Em abril, a Aged realizou uma série de blitzen de fiscalização do trânsito agropecuário pela Operação Impacto, em parceria com a PMMA e a PRF.

De acordo com dados da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged/MA), em 2016, a Diretoria de Defesa e Inspeção Sanitária Vegetal apresentou avanços na fiscalização do trânsito vegetal. Este ano, a Agência fiscalizou 49.666 cargas que entravam ou saíam do estado e realizou 69 blitz de fiscalização agropecuária. O resultado representa quase o triplo do número de 2015, quando se registrou a fiscalização de 17.957 cargas e 35 blitz.

“O que precisamos para melhorar a produção do Maranhão é investir na educação de quem produz, para que eles saibam que têm que estar legalizados, e intensificar a vigilância ativa, por meio dessas fiscalizações, para garantir a comercialização de alimentos saudáveis. Em 2017, vamos expandir ainda mais nossas fiscalizações”, defendeu o presidente da Aged/MA, Sebastião Anchieta.

Foi a partir da intensificação da fiscalização do trânsito agropecuário que a Agência identificou infrações graves, como o reaproveitamento de embalagens de agrotóxicos para o transporte de alimentos para pessoas ou animais. Foi o caso da apreensão de 200l de molho de soja em bombonas de defensivos agrícolas durante uma das blitzen da Operação Impacto, em abril.

“Cargas vegetais também têm o potencial de disseminar pragas, por isso, é muito importante que esse trabalho de vigilância seja feito com cada vez mais eficiência. O resultado positivo nas fiscalizações também se deve às melhorias nas condições de trabalho, aquisição de novos equipamentos e capacitação técnica. Então, esses trabalhos foram feitos com um nível técnico mais apurado”, ressaltou o diretor de Defesa e Inspeção Sanitária Animal da Aged/MA, Roberval Raposo Júnior.

O balanço da Defesa Vegetal da Aged/MA também registrou aumento nos monitoramentos da mosca da carambola. Em 2016, foram realizadas 461 operações para prevenir o aparecimento dessa praga de significativo potencial de dano econômico para a fruticultura brasileira. Outras ações executadas pela Agência, como a fiscalização do vazio sanitário da soja e os levantamentos fitossanitários, mantiveram a média do ano anterior.

Agrotóxicos

Parte importante do trabalho de inspeção sanitária vegetal consiste no acompanhamento da devolução de embalagens de agrotóxicos para uma destinação ambientalmente correta. Em 2016, registraram-se 688.617 mil (inPEV, outubro de 2016) embalagens recebidas nas Unidades de Recebimentos de Embalagens, como consequência direta das ações de fiscalização nas propriedades rurais.

Neste ano, a Agência também promoveu III Curso de Tecnologia de Aplicação de Agrotóxicos e Manejo Integrado de Doenças, Pragas e Plantas Daninhas, em outubro. O treinamento, realizado em Chapadinha foi responsável pela a capacitação técnica de mais de 70 pessoas entre produtores de soja, fiscais e técnicos de fiscalização vegetal, técnicos de prefeituras da região, da AGERP e do SENAR.

Exportação

Em 2016, a Aged aprovou a inclusão do Sítio Barreiras, situado em Itinga do Maranhão, no Sistema de Mitigação de Risco (SMR) para Sigatoka Negra, principal praga da bananeira. Com a conquista, a empresa obteve permissão para expandir suas exportações, comercializando também com áreas livres da praga, e deverá implantar até 900 hectares para o cultivo de bananas.

Maranhão expande exportação de bananas para outros estados

Primeira Permissão de Trânsito Vegetal (PTV) emitida para as bananas da propriedade com SMR.

Primeira Permissão de Trânsito Vegetal (PTV) emitida para as bananas da propriedade com SMR.

Após três anos sem permissão para exportar bananas para estados com status sanitário livre de sigatoka negra, o retorno do Maranhão ao comércio interestadual foi marcado pelo envio de 12 toneladas da fruta para Teresina, na sexta-feira (24). A emissão da primeira Permissão de Trânsito Vegetal (PTV) para os produtos do Sítio Barreiras se deu após a inclusão da propriedade, pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged), no Sistema de Mitigação de Risco para a praga Sigatoka Negra (SMRSN).

Com a inclusão no SMR, a propriedade rural situada no Itinga planeja realizar despachos semanais de mais de 10 toneladas de bananas para o Piauí e Ceará, inicialmente. O Sítio Barreiras também pretende expandir sua área de cultura de aproximadamente 140 hectares para 900, empregando a mão-de-obra do povoado Cajuapara. “A fruticultura do estado vem sendo fortalecida por iniciativas em produção e defesa agropecuária  e, com trabalhos como esse, estamos, gradativamente, reduzindo as importações de itens importantes da alimentação dos maranhenses e buscando produzir excedentes para exportar cada vez mais”, ressaltou o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca, Márcio Honaiser.

A cadeia produtiva da hortifruticultura é uma das dez cadeias prioritárias do Governo do Maranhão e está sendo trabalhado no Agropolo da Ilha, no Delta do Parnaíba, com o caju, e em Turiaçu, com o abacaxi, por meio do Sistema Estadual de Produção e Abastecimento.

Na Ilha de São Luís, por exemplo, itens como mamão, carambola, banana e acerola já são fornecidos pelas Unidades de Referência de Produção (URPs) a três redes de supermercados maranhenses. O sucesso do projeto piloto dos agropolos levou a Sagrima a implantar em junho o Agropolo do Rio Balsas.

Controle da Sigatoka Negra

De acordo com o diretor de Defesa e Inspeção Vegetal da Aged, Roberval Raposo Júnior, a sigatoka negra é a mais severa das doenças da cultura da banana e representa um grande perigo para o cultivo da fruta em várias regiões do mundo. No Brasil, ela é caracterizada como praga quarentenária presente (A2), isto é, praga de importância econômica potencial, presente no país, porém não amplamente distribuída e sob controle oficial. “As principais formas de controle oficial acontecem através de normativas federais e estaduais que regulam o trânsito de frutos e mudas, principais veículos de disseminação, bem como os tratos culturais dentro do plantio”, explica o fiscal agropecuário Luís Roberto Lima.

Para ser incluída no Sistema de Mitigação de Risco, o Sítio Barreiras, teve que adotar diferentes medidas de manejo de risco de pragas para atingir o nível apropriado de segurança fitossanitária e evitar a disseminação desse fungo por meio de mudas contaminadas, folhas infectadas ou, até mesmo, caixas de madeira ou de plástico, roupas e sapatos infestados. “A região é caracterizada pelo cultivo florestal, como o cultivo do eucalipto, e pelo cultivo de grãos. Esse é o primeiro projeto de fruticultura irrigada na Regional, além de ser a primeira propriedade a solicitar e se enquadrar no SMRSN”, destaca o fiscal agropecuário Josué Álvares Neto.

Propriedade produtora de bananas do Itinga é incluída em sistema que permite comércio interestadual

cachos - transporteApós fiscalização da equipe técnica de Defesa Vegetal da Unidade Regional de Açailândia, a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged) emitiu um parecer favorável à inclusão da propriedade Cajuapara Fruticultura Ltda. no Sistema de Mitigação de Risco para a praga Sigatoka Negra (SMRSN). Com essa aprovação, a propriedade se torna a primeira produtora de bananas maranhense a poder comercializar seus produtos em outros estados.

De acordo com o diretor de Defesa e Inspeção Sanitária Vegetal da Aged, Roberval Raposo Júnior, a sigatoka negra, a mais severa das doenças da cultura da banana, foi detectada, no Maranhão, no ano de 2013 levando à perda do status sanitário de área livre da doença. Por representar um grande perigo para o cultivo da fruta em várias regiões do mundo, ao perder o status, o estado ficou impedido de comercializar a sua produção para os estados livres da praga (PI, CE, AL, BA, DF, ES, GO, PB, PE, RN e SE), assim como para aqueles que contêm Sistema de Mitigação de Risco (SMR), como o TO e PA.

Os proprietários do Sítio Barreira, localizado no Itinga, foram orientados pela Aged sobre as exigências necessárias e, posteriormente, a propriedade passou por uma fiscalização detalhada, para o cadastramento das unidades de produção e análise da execução de práticas agrícolas e dos cuidados nas casas de embalagem. “O SMR é a alternativa que possibilita ao produtor a manutenção de sua atividade e comercialização do seu produto nos outros estados e diz respeito a integração de diferentes medidas de manejo de risco de pragas para atingir o nível apropriado de segurança fitossanitária”, explica Roberval.

Com a inclusão no sistema, a propriedade rural está habilitada para o comércio externo e a Aged passa a ser responsável por inspeções e fiscalizações trimestrais no local. De acordo com o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca, Márcio Honaiser, a habilitação permite a maior exploração comercial dessa cultura. “Com a manutenção do trabalho de inspeção e fiscalização, será possível desenvolver o cultivo da banana dentro da cadeia da hortifruticultura, que é uma das prioritárias no programa ‘Mais Produção’ e retormar sua comercialização para outros estados, gerando emprego e renda”, disse.

Sigatoka Negra

Conforme explica o diretor Defesa e Inspeção Sanitária Vegetal da Aged, a sigatoka negra é uma praga quarentenária presente (A2). A denominação é empregada para indicar pragas de importância econômica potencial para uma área em perigo, presente no país, porém não amplamente distribuída e sob controle oficial.