Cultivo e transporte de ostras de Humberto de Campos passam por inspeção inédita no Maranhão

Os moluscos foram despescados, higienizados e armazenados em caixas térmicas de acordo com as recomedações da Aged.

Os moluscos foram despescados, higienizados e armazenados em caixas térmicas de acordo com as recomedações da Aged.

Quem se deparou com ofertas de ostras nos supermercados Mateus e Fripeixe, em São Luís, talvez não imagine que elas representam os primeiros frutos da Unidade Demonstrativa de Cultivo de Ostras em Mesas Fixas, desenvolvido pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca (Sagrima) em de Humberto de Campos. Antes de chegar ao consumidor, as ostras foram acompanhadas de forma inédita, do cultivo ao beneficiamento, por uma equipe técnica da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged) para garantir que elas estariam próprias para o consumo.

Nos dias 14 e 15, uma equipe da Sagrima e da Aged visitou o Parque Aquícola do povoado de Cedro para auxiliar na despesca e no transporte das ostras até o estabelecimento de beneficiamento já registrado no Serviço de Inspeção Estadual (SIE), LDA Comércio de Gêneros Alimentícios.

As 2.400 ostras despescadas, passaram pelo processo de pré-limpeza, realizado pelos pescadores participantes do projeto, sob supervisão e orientação da bióloga Isabella Moreira Lima e do engenheiro de pesca Hélio dos Santos Júnior. “Pela primeira vez uma equipe da Defesa Agropecuária, acompanha o processo de cultivo, despesca, transporte e beneficiamento de ostras no estado. Este é um passo importante para agregar valor a essa atividade social e econômica de extrema relevância no Maranhão, tradicional produtor e consumidor de pescado”, ressaltou Hélio.

Após a pré-limpeza, as ostras foram devidamente acondicionadas em caixas isotérmicas de isopor resfriadas com gelo e transportadas para o local de beneficiamento, onde foi feita a limpeza final, a embalagem e o transporte para as lojas da capital.

Mesmo nesta fase inicial, o projeto de cultivo das ostras em mesas fixas já conseguiu incentivar o cultivo em detrimento do extrativismo. Com a criação, fica mais fácil cuidar da produção e oferecer o produto com maior regularidade. “Com a inserção da Aged no processo, poderá haver maior expansão do mercado, devido à garantia de qualidade do produto desde a fase de produção até a chegada ao mercado”, defendeu o engenheiro de pesca.

Aquicultura com Sanidade

Em julho, os responsáveis pelo programa Aquicultura com Sanidade na Aged visitaram o Parque Aquícola de Humberto de Campos para realizar o cadastro oficial do parque, fazer o georreferenciamento, avaliar os resultados das análises de micro-organismos na água e fornecer todas as orientações com relação à inspeção sanitária.

Governo apresenta programa sanitário de aquicultura para piscicultores familiares na Semana do Pescado

Na tarde da segunda (12), cerca de 50 piscicultores participaram das palestram que marcaram o primeiro dia da Semana do Pescado.

Na tarde da segunda (12), cerca de 50 piscicultores participaram das palestras que marcaram o primeiro dia da Semana do Pescado.

Com produção semanal de aproximadamente 20 toneladas de peixes, os produtores da Associação de Piscicultores de Itans são um grande exemplo do potencial maranhense no fornecimento de pescado. Para reduzir perdas nos criatórios e colocar a aquicultura maranhense em um patamar de excelência para o mercado interno e externo, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca (Sagrima), por meio da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged), ofereceu palestras sobre o Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo (Aquicultura com Sanidade) para piscicultores familiares da comunidade Itans, em Matinha, na segunda (12).

Auxiliados por engenheiros de pesca e responsáveis técnicos com o objetivo principal de expandir a produção, os piscicultores também terão que se adequar às práticas sanitárias instituídas pelo governo federal, na Instrução Normativa Nº 04/2015, do extinto Ministério de Pesca e Aquicultura (MPA), a partir de 2017.

“O programa do Ministério de Pesca institucionalizou, de forma inédita, os cuidados sanitários que se devem tomar na aquicultura. Já existem estudos científicos comprovando que o manejo incorreto na produção de peixe em cativeiro pode causar doenças nos animais e até provocar a sua morte. Já existem relatos de piscicultores que perderam toda a sua produção da noite para o dia”, explicou o engenheiro de pesca da Aged, Hélio dos Santos Junior.

Para preparar técnicos e produtores maranhenses para as novas normas, a Aged está promovendo palestras e treinamentos. As palestras “Aquicultura com Sanidade”, “Trânsito de pescados” e “Registro de Agroindústria Familiar, Pequeno Porte ou Artesanal” foram ministradas como parte da programação da Semana do Pescado (12 a 18), promovida pela Sagrima, para um público de 50 pessoas na Associação dos Piscicultores de Itans. “Queríamos mostrar que eles podiam dar um segundo passo na atividade, não só comercializar o pescado in natura, mas beneficiá-lo para agregar valor ao produto”, defendeu a veterinária Tânia Maria Duarte.

Programa Inovador

Quando aprovado, o programa Aquicultura com Sanidade foi apontado como o mais amplo e inovador já lançado pelo extinto MPA. Até 2014, o governo federal havia aprovado quatro iniciativas, mas que não contemplavam todo o setor.

Algumas das novidades do programa são as regras para a manipulação de peixes durante a despesca (retirada dos peixes dos ambientes de cultivo), para o trânsito de animais aquáticos no estado de origem, entre estados ou quando destinados à exportação ou importação, além da orientação sobre as formas de notificação de suspeitas de doenças.

Governo inicia treinamento para implantação do programa Aquicultura com Sanidade

Durante o Dia de Campo, técnicos da Aged e Agerp assistiram oficinas sobre piscicultura.

Durante o Dia de Campo, técnicos da Aged e Agerp assistiram oficinas sobre piscicultura.

Como uma das primeiras ações do programa Aquicultura com Sanidade, a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged) promoveu, no último dia 11, um Dia de Campo sobre Piscicultura para capacitar profissionais do serviço veterinário estadual, na Chácara Santo Antônio, situada em Arari.

Segundo explica a veterinária Caroline Moura, o Programa Nacional de Sanidade de Animais Aquáticos de Cultivo, que recebeu o nome de Aquicultura com Sanidade, é uma iniciativa criada para assegurar a prevenção, o controle e a erradicação de doenças nos sistemas de produção de peixes, anfíbios, moluscos, crustáceos e demais invertebrados aquáticos. “A instrução normativa do Ministério de Pesca prevê que, a partir do próximo ano, todos os estabelecimentos que cultivam animais aquáticos devem se ajustar ao programa. Para isso, estamos orientando nossos veterinários na área para que possam fazer o cadastramento de propriedades e o controle de doenças”, afirma Caroline.

Nesta primeira experiência em campo, 28 técnicos da Aged e da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Agerp) participaram das oficinas de Análise de água, ministrada pelo consultor do Sebrae, Cláudio Urbano, e de Técnicas de Manejo e Sanidade, oferecida pelo instrutor do Senar, Benedito Válter. “O dia de campo serviu como um despertar para os técnicos; um ponto de partida para que a aquicultura maranhense tenha sanidade; que seja quebrado o mito de que pra criar peixe é preciso apenas cavar um buraco e encher de água. Muito ainda precisa ser feito”, defendeu a veterinária.

Na próxima etapa, a Aged promoverá também um Dia de Campo para os produtores, com o objetivo de desmistificar a Instrução Normativa Nº 04/2015 do Ministério de Pesca e Aquicultura (MPA) e de conscientizá-los da importância das medidas. “Queremos esclarecer sobre o programa e mostrar que a adesão ao programa vai melhorar a produção e, além de melhorar, eles terão um produto de qualidade, que vai facilitar a comercialização em todo o estado”, declarou o presidente da Aged, Sebastião Anchieta.

Documentos Sanitários

Dentre as medidas que entram em vigor a partir de 2017, está a obrigatoriedade da emissão de Guia de Trânsito Animal para o transporte de pescado vivo ou resfriado em gelo, antes de passar por um processamento. “Alguns produtores ficaram receosos de que a medida implicasse em aumento no custo de produção, mas a arrecadação da GTA será coerente com o produto. O principal impacto dessa medida não será no bolso do produtor, mas na garantia de que o pescado está vindo de um local que respeita as medidas sanitárias”, esclareceu a veterinária Caroline Moura.

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Veterinários, engenheiro de pesca e bióloga analisam ostras durante visita ao projeto.

Veterinários, engenheiro de pesca e bióloga analisam ostras durante visita ao projeto.

Para garantir a segurança dos alimentos produzidos no Parque Aquícola de Humberto de Campos, a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged) visitou o projeto Unidade Demonstrativa de Cultivo de Ostras em Mesas Fixas, no povoado Cedro, no dia 26 de julho. A visita marcou o cadastramento do parque no Sistema de Integração Agropecuária (Siapec), habilitando-o a transportar e comercializar os moluscos.

De acordo com a responsável pelo programa Aquicultura com Sanidade, Caroline Moura, a visita se deu em decorrência do interesse dos supermercados Mateus em comercializar as 900 dúzias de ostras, que marcaram a primeira produção do projeto. “Todos os produtos de origem animal comestíveis, nos entrepostos de pescado, devem passar por prévia fiscalização, sob ponto de vista industrial e sanitário. Foi a primeira visita da Aged ao local, onde fizemos o georreferenciamento, realizamos o cadastro oficial do parque e demos orientações com relação à inspeção sanitária”, explica a veterinária.

Anteriormente, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca (Sagrima) também havia realizado uma análise dos microorganismos na água, que comprovou a ausência de qualquer contaminação.

O cadastro da colônia de pescadores na Aged está entre os primeiros realizados pelo setor de animais aquáticos e permitirá aos produtores emitir a Guia de Trânsito Animal, que permitirá o trânsito das ostras de Humberto de Campos até o estabelecimento de beneficiamento já registrado no Serviço de Inspeção Estadual (SIE), LDA Comércio de Gêneros Alimentícios, em São Luís. Como projeto futuro, o setor de animais aquáticos e a inspeção sanitária da Aged trabalharão em conjunto, orientando os pescadores, para que o projeto também contemple o beneficiamento do pescado.

“O setor de animais aquáticos é uma inovação na Agência e já estão surgindo demandas para a nossa fiscalização. Com o Sistema Estadual de Produção e Abastecimento, está previsto um investimento de mais de um milhão na aquicultura. Estamos unindo forças para fechar toda a cadeia, desde a produção até a comercialização, pois é preciso aproveitar o momento para começar com boas práticas sanitárias”, defende Caroline.