Ministério da Agricultura alerta apicultores sobre nova praga

Colmeia infestada por Aethina tumida (Fonte: Jessica Lawrence/Eurofins Agroscience Services/Bugwood.org - CC BY 3.0 US).

Fonte: Jessica Lawrence/Eurofins Agroscience Services/Bugwood.org

Conforme nota técnica enviada pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o setor de epidemiologia dos órgãos de defesa animal de todo o Brasil, em documento assinado em 14 de julho, foram confirmados oito focos de infestação de colmeias da abelha Apis mellifera pelo pequeno besouro Aethina tumida, em três municípios de São Paulo.

Enquanto tenta estimar a extensão do problema e os danos às colmeias de abelhas africanizadas, que constituem a base da apicultura brasileira e nascem do cruzamento da Abelha-Africana com raças europeias, o Mapa defende que “é necessário alertar toda a comunidade apícola sobre a necessidade de notificação imediata da suspeita da ocorrência da Aethina tumida, em qualquer tipo de colmeia e proceder a investigação epidemiológica na região para caracterizar o impacto desta praga”.

O besouro que acomete as colmeias de abelhas, na fase larval, se alimenta dos ovos, ninhadas, mel e pólen, destruindo os favos e a estrutura da colmeia e causando grande impacto na produção. Além disso, a nova praga também torna o mel impróprio para consumo, devido à fermentação que ocorre após o contato com as larvas.

“A fêmea adulta pode viver pelo menos seis meses e, em condições propícias, por milhares de ovos. O besouro pode viver na natureza e sobreviver até duas semanas sem comer, e voar até 13 quilômetros de distância de seu ninho, sendo capaz de se dispersar rapidamente e invadir novas colmeias”, diz o documento.

No Maranhão, de acordo com a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged), não houve nenhuma notificação de suspeita de infestação. “Em maio, participamos do I Curso de Sanidade Apícola de São Paulo, no qual estudamos formas de prevenção e diagnóstico da infestação desse besouro. Agora, é preciso que o produtor esteja alerta e notifique a Aged imediatamente em caso de qualquer suspeita”, explica o responsável técnico pelo Programa Nacional de Sanidade Apícola (PNSA) na Agência, Clenilson Júnior.

Na nota técnica Nº 3/2016, o Mapa ainda adverte que a movimentação de colmeias, favos de mel e outros produtos apícolas é a forma mais comum de transmissão da infestação a outras colônias.

Serviço

Para receber denúncias e relatos de suspeitas de doenças de notificação obrigatória, o Maranhão possui um número para contato sem nenhuma taxa de cobrança, conhecido como Disque Aged: 0800 280 6006.

Fiscais estaduais agropecuários participam do I Curso de Sanidade Apícola de São Paulo

 

Os fiscais agropecuários Clenilson Júnior e Tânia Duarte participaram dos cinco dias de treinamento em São Paulo.

Os fiscais agropecuários Clenilson Júnior e Tânia Duarte participaram dos cinco dias de treinamento em São Paulo.

Ao longo da última década, a apicultura vem crescendo no Brasil, gerando renda e aumentando a necessidade de investimentos nos estudos em sanidade das abelhas. Para se aperfeiçoar tecnicamente, a Agência Estadual de Defesa Agropecuária enviou dois fiscais para o I Curso de Sanidade Apícola de São Paulo, realizado pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em Pindamonhangaba de 16 a 20 de maio.

O treinamento, oferecido para profissionais do sistema oficial de defesa agropecuário, foi idealizado para prevenir a introdução de patógenos em território nacional e possíveis perdas econômicas na atividade apícola, em decorrência de doenças que venham a se estabelecer no País. Ele foi desenvolvido após a introdução, no Brasil, da Aethina tumida Murray, um besouro das colmeias que foi notificado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), em fevereiro de 2016.

Durante os cinco dias do curso, os fiscais tiveram aulas teóricas sobre a biologia, morfologia e fisiologia das abelhas Apis mellifera; sobre doenças de abelhas adultas e suas crias, entre outros. “A participação no I Curso de Sanidade Apícola de São Paulo, demostra a preocupação da Aged com os assuntos deste seguimento e vem somar como ferramenta útil para o bom andamento do Programa Nacional de Sanidade Apícola no Estado, avaliou o fiscal agropecuário Clenilson Júnior, responsável técnico pelo Programa Nacional de Sanidade Apícola (PNSA) no Maranhão.

O treinamento contemplou, ainda, aulas práticas no apiário. Para a fiscal agropecuária Tânia Maria Duarte, um dos pontos mais interessantes do curso foi o acompanhamento da metodologia de colheita de amostras eventualmente contaminadas e o envio do material de forma adequada para o diagnóstico em laboratório.

Apicultura

Desde 2015, o governo estadual, por meio das Secretarias de Estado de Agricultura e Pecuária (Sagrima) e de Indústria e Comércio (Seinc), vem discutindo o adensamento da cadeia produtiva de apicultura com empresários, instituições de apoio financeiro e produtores da Região do Alto do Turí, responsáveis pela produção de 70% de mel do Estado.

Em abril deste ano, durante a realização da Feira de Agricultura Familiar e Agrotecnologia do Maranhão (Agritec), no Território Cocais, o governo também ofereceu cursos sobre criação racional de abelha, vitrine tecnológica, demonstrações práticas e comercialização de produtos derivados da Meliponicultura e Apicultura para produtores, técnicos e estudantes.