AGED intercepta cargas com frutos hospedeiros da mosca da carambola em São Luís

Equipes da Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (AGED) realizaram nesta segunda-feira e terça-feira, 19 e 20, ações que interceptaram cargas de frutos hospedeiros da Mosca-da-Carambola. Na operação, cerca de 1,5  tonelada de tangerina e 8 toneladas de laranja  oriundas do Pará foram apreendidas e descartadas.

Os Fiscais da AGED observaram que a documentação de Permissão de Trânsito de Vegetais – PTV apresentava irregularidade quanto à discriminação dos produtos. O documento informava 18 toneladas de limão Tahiti, que não é hospedeiro oficial da praga, mas após a inspeção no veículo foram encontrados frutos de laranja e tangerina, cujo trânsito está proibido a partir dos estados de Roraima, Pará e Amapá, todos em quarentena para a Mosca-da-Carambola, de acordo com as Resoluções nº 03, de 15.05.2018, nº 04, de 26.10.2018 e nº 5, de 31.10.2018, respectivamente.

A Bactrocera carambolae, principal ameaça à fruticultura nacional, também conhecida como Mosca-da-Carambola, é uma praga de origem asiática que preocupa os produtores de frutas em todo o mundo. Atualmente, há focos da Mosca-da-Carambola nos estados do Amapá, Pará e Roraima.

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Apesar do nome, a Mosca-da-Carambola não ataca apenas a carambola. Só no Brasil, já foram identificadas pelo menos 47 espécies hospedeiras para a praga, entre elas algumas culturas importantes, como a manga, o tomate e a goiaba. O problema surge quando as moscas depositam seus ovos nos frutos em desenvolvimento. As larvas rompem as cascas das frutas e se alimentam da polpa, inviabilizando a sua comercialização. Não existe risco à saúde humana, mas sim ameaças fitossanitárias para os países importadores, na maioria dos casos livres da praga.

 

Para o Diretor de Defesa e Inspeção Sanitária Vegetal, Roberval Raposo, “ Essa é uma operação oficial coordenada pelo Programa de Prevenção, Contenção, Supressão e Erradicação da praga Bactrocera carambolae (PPCSEBc)  do Ministério da Agricultura  e o estado do Maranhão acaba servindo como uma espécie de filtro sanitário para todo o nordeste, contribuindo para proteger a nossa fruticultura”.

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Segundo a AGED, os prejuízos podem causar forte impacto socioeconômico, já que a fruticultura nacional tem grande importância para a economia do país, com diversos produtos integrando a pauta de exportação. Os países que compram produtos do Brasil não aceitam frutos de regiões onde há a presença da Mosca-da-Carambola. Além de problemas na exportação de frutas, há ainda o aumento no uso de agrotóxicos, elevando o custo de produção, além dos impactos econômicos, políticos, sociais e ambientais pelo aparecimento e a disseminação da praga.

Diante da irregularidade encontrada, os Fiscais da AGED apreenderam e destruíram a carga de acordo com a legislação fitossanitária vigente, conforme o Decreto Estadual nº 22.806, de 11/12/2006, que prevê a medida para evitar a introdução, estabelecimento e dispersão de pragas.

A preocupação, agora, é que a Mosca-da-Carambola avance para as regiões produtoras de frutas no Brasil, especialmente no Nordeste, o que poderia gerar enormes prejuízos econômicos e sociais ao País.

A prevenção e controle da mosca-da-carambola no maranhão

A AGED executa ações de prevenção e controle da Mosca-da-Carambola no Estado desde 2007, através de armadilhas de captura e detecção da praga instaladas estrategicamente nos pontos de entrada (rodoviária, aérea e marítima) do território maranhense, totalizando cerca de 92 unidades inspecionadas quinzenalmente, realizando-se a troca da isca tóxica e do piso adesivo a cada supervisão.